Câmeras fotográficas

Você já fotografou com uma Pinhole?

Uma lata, com um furo no centro, é o modelo mais simples de câmera que já se inventou. E, melhor, pode ser feita em casa.

A câmera pinhole, do inglês pin (alfinete) e hole (furo), é uma lata ou caixa, bem vedada, com um furinho, por onde entra a luz que registra a imagem captada no papel sensibilizado ou filme no seu interior.

Depois de feita a foto, deve-se revelar no laboratório, com químicas para revelação, esse papel ou filme.

Câmera pinhole e fotos. Foto de arquivo pessoal, Marcia Costa

No mercado, existem milhares de modelos de câmeras. As que encontramos nos celulares (câmera mobile) são as mais populares e de fácil acesso. Quase todo mundo tem uma câmera dessas, hoje em dia.

Com o advento da fotografia e sua evolução, diversos foram os modelos de câmeras que surgiram. Isso exigiu, também, que elas fossem divididas em categorias, tanto para os modelos analógicos (filme) quanto nas digitais (sensores).

As câmeras compactas são as mais baratas e populares que existem nos modelos analógicos (filme de rolo 35mm) e nas digitais, nas quais podemos enquadrar as câmeras mobiles (celulares).

Os modelos analógicos são de fácil manuseio. Normalmente, ajusta-se apenas a sensibilidade (Iso/Asa) do filme, com pouca variação, entre 100 e 400. Algumas possuem motor para passagem da chapa do filme, outros têm uma pequena lente zoom. Tudo bem simples, com relação ao que conhecemos hoje.

Entretanto, uma característica é comum às analógicas compactas: o erro de paralaxe. Mas o que seria isso? Pelo fato da imagem através do visor da câmera não corresponder ao mesmo enquadramento da imagem da objetiva, muitas fotos saíam com uma das extremidades cortadas e esse erro era notado apenas após a revelação do filme.

Para que o usuário não tivesse este problema, alguns modelos apresentavam, no visor, um retângulo pontilhado indicando o espaço para o enquadramento correto e sem cortes.

Erro de paralaxe, apresentado nas câmeras compactas de filme 35mm. A imagem que entra pela objetiva tem ângulo diferente do visor da câmera. Por isso, muitas vezes, as fotografias saíam cortadas em suas extremidades.

Hoje em dia, as digitais compactas estão muito melhores. Com mais configurações disponíveis, como uma escala de ISO maior, balanço de branco, modos de exposição diversos.

Alguns modelos se assemelham aos modelos profissionais no tipo de corpo, outros até trocam a objetiva, há os modelos de SuperZoom, com um longo alcance, muito utilizadas por amadores que fotografam natureza e desejam ajustes mais precisos para as fotos.

Os fotógrafos profissionais ou amadores mais exigentes utilizam os modelos de câmeras SLR (Single Lens Reflex) ou simplesmente Reflex.

Na maioria, as SLRs não apresentam erro de paralaxe (nos modelos analógicos), mas apresentam fator de corte, de acordo com o tamanho do sensor (nos modelos digitais, DSLR).

Na Reflex, a imagem que entra pela objetiva é refletida em um espelho, atravessa um vidro despolido (que tem a função de inverter a imagem e colocá-la de cabeça para cima, já que ela se forma de cabeça para baixo), e é visualizada pelo fotógrafo, no visor da câmera.

Câmeras de grande formato

São câmeras que possuem fole ou sanfona na frente do corpo, negativos (em forma de chapas únicas, que são trocadas a cada foto), nos modelos analógicos. E, no digital, sensor bem grande (9 X 11 polegadas, em torno de 22 X 27cm), que não apresentam corte e permitem uma definição grande de detalhes e nitidez.

São muito utilizadas em fotos para propaganda e moda, pois exigem uma qualidade de imagem excelente.

Câmeras de médio formato

No sistema analógico, são câmeras com negativos maiores, nos tamanhos 6 X 6cm, 6 X 7cm que utilizam filme 120mm. A mais popular é TLR (Twin-Lens Reflex). Uma marca famosa nesse modelo é a Rolleiflex. Esse tipo de câmera possui duas objetivas.

A objetiva superior direciona a imagem para um espelho, que a reflete para parte de cima da câmera, por onde o fotógrafo vê a imagem.

A lente de baixo é a que realmente faz a foto.

As duas objetivas ficam próximas uma da outra, tornando mínimo o erro de paralaxe. Alguns modelos têm um indicador para a correção desse erro.

No sistema TLR, o espelho é fixo. Por isso, a necessidade de duas objetivas. Na SLR, esse sistema (reflex) foi aperfeiçoado, o espelho fixo na TLR passou a ser móvel, o que permitiu a visualização da imagem pela própria objetiva que faz a foto. As marcas mais conhecidas em médio formato são: Hasselblad, Bronica e Mamiya.

O modelo reflex, em formato médio, também está presente no sistema digital, com câmeras que possuem sensor no tamanho (43,8 × 32,9mm), muito utilizadas por profissionais que precisam de mais definição de cor, nitidez e detalhes na imagem, como na fotografia publicitária.

Câmeras de pequeno formato

São as câmeras profissionais e utilizadas pelos amadores exigentes, com filme 35mm. Apresentam negativo em rolo, no tamanho 24 X 36mm. Possuem versatilidade, rapidez de manuseio e um conjunto de acessórios que permitem fotografar qualquer tipo de evento.

Esse modelo encontra-se também no sistema digital, em câmeras de categorias diferentes, que se apresentam da seguinte forma:

Iniciantes (ou de entrada)Também chamadas de semiprofissionais, apresentam fator de corte.
IntermediáriasAlgumas com fator de corte e alguns modelos full frame – raros.
AvançadasModelos full frame.

As que possuem sensores menores (APS-C) são conhecidas como cropadas ou com fator de corte. A relação entre a distância focal (milímetro) da objetiva e seu efeito sobre a captação da imagem é diferente, essa relação entre os 35mm do filme e o tamanho do sensor é conhecida como fator de multiplicação.

Externamente, as câmeras se assemelham, e, para saber exatamente o tamanho do sensor, é necessário ler as especificações de cada câmera.

Corpo de câmera fullframe

Nas câmeras digitais cropadas, que usam objetiva intercambiável de câmera analógica ou full frame, será importante saber o fator de conversão no momento da aquisição da objetiva.

A maior parte das câmeras digitais SLR de entrada é dotada de sensores de fator de conversão de 1,5x (Nikon) ou 1,6x (Canon).

Isso significa que uma objetiva de distância focal de 50mm (conhecida como normal), usada na câmera analógica de 35mm ou na full frame, tem um ângulo de visão de cerca de 80mm (meia tele) na câmera digital cropada, devido ao tamanho do sensor ser menor.

Podemos exemplificar que os sensores das câmeras digitais seguem mais ou menos esses tamanhos:

Isso não chega a ser um grave problema, as digitais SLRs, que apresentam fator de corte, podem ser adquiridas com objetivas com distâncias focais menores como uma objetiva zoom 18–55mm que apresenta um ângulo de visão referente à distância focal de 28,8 X 88mm.

Os sensores e os pixels

Você sabe onde está localizado o sensor da sua câmera?

O sensor fica posicionado atrás da cortina do obturador, mesma posição por onde passa a película fotográfica nas câmeras analógicas.

Quando o obturador se abre, a luz atravessa e atinge o sensor, registrando a imagem que será enviada para o cartão de memória da câmera.

Nas compactas, ele fica posicionado atrás da objetiva, antes do seu LCD. Nos celulares, o sensor fica atrás da lente.

É no sensor de cada câmera que estão acomodados os megapixels. Uma unidade que mede a resolução de dispositivos óticos (isto é, a quantidade de pontos que a imagem tem).

Você sabe qual a função desses pixels?

Eles não influenciam tanto na qualidade da imagem, e sim, no tamanho da foto (resolução), definindo qual o tamanho da ampliação que será possível fazer, de acordo com a quantidade de megapixel utilizada na captura da imagem. Quanto maior a quantidade de pixel em uma foto, maior será o tamanho de ampliação possível.

Ao adquirir uma câmera digital, muitas vezes o que observamos é a quantidade de megapixel. Quantos a sua câmera possui? 18 MP, 24 MP, 36 MP.

Esse valor de pixel só é obtido se fotografarmos em alta resolução (L). Quando se diminui a resolução da imagem para Média (M) ou Baixa (S), esse valor de megapixel também diminui, consequentemente o tamanho para sua ampliação, também.

O valor em megapixel é encontrado multiplicando-se a largura pela altura da imagem. Por exemplo, uma imagem com resolução 2048 x 1536 tem uma resolução de 3.145.728 pontos, ou seja, 3,1 megapixels.

Na hora do clique, podemos escolher a resolução desejada para fotografar. Quanto menor a resolução, maior a quantidade de fotos que serão armazenadas no cartão de memória.

Dessa forma, você pode avaliar o seguinte:

  • Qual a finalidade da imagem que você está registrando?
  • Seu cartão está ficando cheio e ainda quer fazer mais outras fotos?

Você poderá diminuir a resolução de captura se as fotos forem utilizadas para envio pela internet ou não desejar fazer grandes ampliações.

A questão com relação à quantidade de megapixel, é o tamanho do sensor. Se ele for pequeno (câmeras compactas) e a quantidade de pixel muito grande, a qualidade da imagem não fica muito boa, pois o espaço é diminuto para armazenar uma quantidade grande de pixel.

Desse modo, eles ficam mal acomodados dentro do sensor, não recebendo luz suficiente para formação da imagem como deveria, já que precisamos da luz para formar a imagem fotográfica. Por isso, muitas vezes, a imagem tem uma qualidade ruim e cores opacas, pois nem todos os pixels receberam luz como deveriam, porque a quantidade pixel é muito grande para o pouco espaço.

Muitas vezes, as pessoas dizem que as câmeras maiores (profissionais) produzem fotos melhores, pois o tamanho do sensor é muito maior, principalmente a full frame, e acomodam melhor grandes quantidades de pixel.

Arquivos digitais

Você já deve ter ouvido falar em arquivo RAW (que traduzido significa cru) ou JPEG (Joint Photographic Expert Group).

As câmeras digitais possuem dois formatos de arquivos eletrônicos para captura das imagens que são formadas pelos pixels no sensor da câmera.

Você pode escolher entre dois formatos: JPEG ou RAW (CR2 para Canon/NEF para Nikon). As diferenças entre eles são muito grandes:

JPEG

É o mais popular. É o que a maioria das pessoas utiliza por ser um arquivo, até certo ponto, leve e existente em todas as câmeras, inclusive na do celular.

Você pode escolher, ainda, o grau de compressão da imagem, fina ou standard. Isso ajuda na hora de precisar fazer mais algumas fotos e o cartão estiver quase cheio. Entretanto, é o tipo de arquivo de captura que não permite erros de iluminação natural ou do flash, pois, será difícil de corrigir na pós-produção em um programa de edição de imagem.

RAW – CR2/NEF

São os arquivos nativos das câmeras. Conhecidos como arquivos crus ou negativos digitais. Possibilitam uma fidelidade de cor, bem próxima ao real. São arquivos muito pesados, sendo 2 a 6 vezes maior que o JPEG. Muito utilizados em fotos profissionais que necessitam de uma qualidade de imagem, nitidez e exatidão na cor. São encontrados nas compactas avançadas e nas câmeras profissionais.

Muitos fotógrafos utilizam este arquivo para fotografar eventos e ajustar o necessário em programas de edição de imagem.

Se, durante a sessão fotográfica, ocorrer um erro de ajuste na câmera e a foto sair com muita ou pouca luz, por exemplo, é possível, quando da captura em RAW, fazer a correção em programas de edição de imagem, pois sua extensão de correção é bem superior do que a do JPEG, permitindo grandes ajustes. Após o tratamento, a foto poderá ser salva em JPEG ou TIFF (Tagged Image File Format), mantendo seu arquivo RAW em outra pasta, caso queira fazer outros ajustes posteriormente.

O processo de gravação é bem mais lento por causa de seu tamanho. Por isso, são necessários cartões de memória com velocidades altas de gravação.

TIFF

Tipo de arquivo muitas vezes usado após o tratamento da imagem. Ele mantém a fidelidade das cores melhor que o JPEG. Entretanto, é necessário saber se o laboratório ou a gráfica aceitam arquivos nesse formato para impressão de seus arquivos de imagem. Não é encontrado nas câmeras digitais de pequeno ou médio formato, mas existem modelos de grande formato que já fazem captura em TIFF. É tão pesado quanto o RAW e não possibilita uma faixa tão grande de ajustes na edição de imagem, após a captura.

Que câmera usar?

Após conhecer os tipos e modelos de câmeras fotográficas existentes, podemos analisar que para cada tipo de utilização da fotografia, temos câmeras mais apropriadas para captura da imagem.

Os amadores dispõem de vários modelos e marcas no mercado, desde as câmeras de celular até as de pequeno formato profissionais, para os mais exigentes.

Já os fotógrafos profissionais precisam analisar o tipo de trabalho fotográfico a realizar.

O mais importante é analisar a área de atuação para definir o investimento nos equipamentos.

Referências

BLAIR, James P. Novo guia de fotografia National Geographic. São Paulo: Abril, 2011.

HEDGECOE, John. O novo manual da fotografia: Guia completo para todos os formatos. São Paulo: Senac, 2005.

HEDGECOE, John. Guia de Fotografia para iniciantes. Biblioteca Fotografe Melhor. São Paulo: Europa, 2013.


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