A Invenção da Fotografia

Um pouco de História

Você já deve ter ouvido falar em arte rupestre. São pinturas do período pré- histórico encontradas em cavernas. As mais famosas estão em: Altamira, na Espanha; Lascaux, na França e no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Brasil. Essas imagens mostram a necessidade do homem registrar o mundo ao redor.

Com a fotografia não foi diferente.

A câmara fotográfica é um aperfeiçoamento da câmara escura da Antiguidade, usada por Aristóteles para observar eclipses. No período Renascentista, século XIV, foi aperfeiçoada por Leonardo Da Vinci em seus esboços de pintura.

A câmara era uma caixa vedada, apenas com um orifício em uma das extremidades, que projetava a imagem invertida em sua parede oposta (processo semelhante ao da visão humana). Quanto menor o orifício, mais nitidez na formação da imagem.

Partindo desse ponto, muitos tentaram fixar diretamente a imagem em alguma superfície.

Se os pintores usavam a imagem, que era formada dentro da caixa, como esboço para ser pintada posteriormente, o desafio era fixá-la diretamente em uma superfície, com a ação da luz.

No século XVII, as caixas já possuíam um sistema ótico, que ajudava na qualidade da imagem.

Quando essa caixa era colocada em um ambiente, a luz que atravessava o orifício refletia, de forma invertida (cabeça para baixo), a imagem na parede oposta que servia de molde para o pintor. Esse é o mesmo princípio usado nas câmaras fotográficas nos dias atuais.

A descoberta da fotografia

Um dos primeiros a conseguir a fixação da imagem pela ação da luz em uma superfície fotossensível foi o francês Joseph Nicéphore Niépce, em 1826.

É atribuída a ele a primeira fotografia feita no mundo, que mostra a vista da janela de seu ateliê. Essa imagem levou oito horas para ser fixada em uma placa de estanho, coberta de betume da Judeia.

Paralelamente a ele, outros homens no mundo tentavam reproduzir as mesmas experiências, como o francês Louis Jacques Mandé Daguerre, bem como Fox Talbot, Frederick Scott Archer e Hércules Florence.

Daguerre e Niépce começaram a trocar correspondências e informações sobre o processo de fixação de imagens em placa de metal sensibilizada com produtos químicos.

Com a morte de Niépce, em 1833, Daguerre continuou a pesquisa, chegando, em 1837, a resultados muito melhores em termos de qualidade de imagem e tempo de exposição (reduzido de 8 horas para 20 minutos).
Como havia outros inventores fazendo pesquisas sobre esse tipo de processamento, Daguerre expôs sua descoberta à Academia de Ciências e Belas Artes da França e vendeu ao governo a invenção da fotografia, em troca de uma pensão vitalícia. Em 19 de agosto de 1839, na França, a descoberta foi anunciada.
Desse modo, surgiu o daguerreótipo, nome dado à câmara e à placa de cobre sensibilizada com prata e fixada com vapor de mercúrio.
Esse processo levou cerca de 20 minutos para fixar a imagem, tempo muito menor do que no início das pesquisas de Niépce.

A fotografia fez sucesso, mas havia um problema: a imagem era única, não havia a possibilidade de cópias.

A fotografia no Brasil

Em nosso país, assim como na Europa, desde 1830 havia pesquisas para tentar fixar a imagem em papel com produtos químicos. É o caso de Hércules Florence, francês radicado no Brasil que fazia pesquisas pioneiras na Vila São Carlos (hoje Campinas/SP), com o processo fotográfico.
Em seus experimentos, ele chegou a um tipo de impressão que denominou de poligrafia, processo semelhante ao do mimeógrafo. Ele estudava o efeito da luz na pintura e ocupava-se com a construção de uma câmara escura, com a qual conseguiu fixar algumas imagens.
No orifício de abertura, a câmara escura tinha a lente de seus óculos, e, no interior, colocou acoplados um espelho e um pedaço de papel com solução de nitrato de prata (MAGALHÃES, 2004).
Florence registrou com sua câmara escura a cadeia de Campinas, o telhado da casa vizinha à sua e uma parte do céu. Essas imagens foram preservadas durante 15 anos, mas nunca foram localizadas.

Em suas constantes experiências, o francês usou substâncias como a própria urina (pois a dificuldade de acesso aos produtos era bem difícil no Brasil naquela época) e amônia para o processamento de imagens, para dissolução do cloreto de prata não atingido pela luz na exposição. Essas pesquisas o fizeram experimentar a impressão direta pela ação da luz solar, deixando um pouco de lado a câmara escura.

Hércules chegou a resultados bem expressivos em 1833, ano que marcou a descoberta da fotografia no Brasil, quando houve a divulgação de sua pesquisa pelo Instituto de Tecnologia de Rochester (EUA).

Florence foi um homem bem à frente de seu tempo. Em 1834, cinco anos antes do inglês John Herschel, já utilizava o termo fotografia em suas pesquisas de fixação da imagem pela luz.

Insatisfeito com a qualidade das cópias e sabendo do anúncio e reconhecimento da descoberta de Daguerre, na França, Florence interrompeu seus experimentos, deixando registrado em seus manuscritos a seguinte observação:

“A bela descoberta de Daguerre não me surpreendeu: eu a tinha previsto aqui neste deserto, oito anos antes.”

– (KOSSOY, 2006)

Hércules Florence só viria a ser reconhecido em 1976, quando o historiador e fotógrafo Boris Kossoy apresentou ao Instituto de Tecnologia de Rochester (EUA) anotações de suas experiências e os rótulos de farmácia produzidos com a técnica utilizada em papéis fotossensíveis.

Com a realização de testes, ficou definitivamente comprovado o pioneirismo de Hércules Florence, no Brasil, como inventor da fotografia.

Dom Pedro II

Dom Pedro II, futuro rei, sempre foi um apaixonado pela fotografia, desde que viu a primeira, em daguerreótipo do Brasil, feita no Largo do Paço Imperial, atual Praça XV, no Rio de Janeiro. Adquiriu seu primeiro equipamento em 1840, e, dois anos depois, aprendeu a utilizá-lo, tornando-se o fotógrafo mais novo da América, aos 14 anos de idade.

Dom Pedro II, ao longo da vida, tornou-se um defensor da fotografia e o maior colecionador particular de fotografias do Brasil. Gostava de retratar pessoas e paisagens.

Seu pioneirismo inspirou historiadores, como Gilberto Ferrez, que assinaram os primeiros capítulos da história da fotografia em nosso país. Desde então, o tema ganhou o Brasil, e surgiram muitos fotoclubes, escolas de fotografia, associações, além de milhares de fotógrafos, entre profissionais e amadores, que não perdem a oportunidade de realizar um belo clique.

A popularização da fotografia: o pioneirismo da Kodak

A fotografia despontou mesmo no mundo com a Kodak. Em 1888, a empresa lançou uma câmara portátil de película (o filme de negativo, pois os outros modelos eram grandes e pesados, além das placas de metal ou vidro, que deveriam ser levadas para fazer as fotos), capaz de produzir 100 imagens, com o slogan: “Aperte o botão que nós fazemos o resto!”.

Bastava comprar a câmara com filme para 100 imagens nas lojas de George Eastman, fotografar, e depois dos cliques, levar a máquina de volta à loja para pegar suas fotos e a câmara com um novo rolo de filme com outras 100 fotos prontas para clicar. Foi o boom da fotografia no mundo.

A era digital

Hoje não utilizamos mais daguerreótipo (placa de metal), calótipo (papel), colódio úmido (placa de vidro), filmes (película), mas um chip (sensor).

Nossas câmaras, por meio de pulsos elétricos, formam a imagem e a armazenam, e, dependendo da capacidade do cartão de memória, fazem mais de mil imagens. Essas fotografias ainda podem ser enviadas em minutos através da internet.

A revolução digital veio aumentar, e muito, a popularidade da fotografia e fez crescer, também, o número de fotos produzidas individualmente, já que antes o filme ficava limitado ao número de chapas por rolo. Aumentar o número de fotos acarretaria em custos mais altos com filmes e revelação, e esse problema foi resolvido com a tecnologia.

A fotografia evoluiu muito desde sua invenção. Não duvide que novas coisas possam surgir ainda. A cada dia aparece uma nova câmara no mercado. A fotografia digital ainda não atingiu a perfeição da imagem como a película, apesar de ser muito boa.

O mais interessante de tudo é que a fotografia tornou-se popular, hoje em dia todo mundo tem uma câmara, a mais popular é a do celular. Repare bem: onde quer que você esteja, há alguém fazendo um registro fotográfico do momento. É como diz o ditado — uma imagem vale mais que mil palavras!

Mobigrafia é o termo utilizado para quem fotografa com celular.

A era digital mudou toda a história fotográfica, agilizando processos de captura sem necessidade da troca de filmes e eliminando etapas, como da revelação de negativos, e fazendo surgir outros recursos como a visualização da imagem na hora, armazenamento das fotos em HDs externos, no sistema de nuvem, na memória do celular e principalmente nas redes sociais.

O envio de fotografias para várias pessoas ao mesmo tempo sem a necessidade de várias cópias, fez aumentar a produção de fotografias.

Entretanto, o processo digital não é algo novo. O desenvolvimento das câmaras digitais tem sua origem nas pesquisas militares durante a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos. As comunicações digitalizadas por meio de mensagens criptografadas foram testadas e utilizadas como tática de guerra.

Década de 1960

A evolução da tecnologia fotográfica digital foi responsabilidade do programa espacial americano. Em 1965, a sonda Mariner 4 fez as primeiras imagens digitais captadas sem filme que registravam a superfície de Marte. Foram criados os primeiros sensores digitais CMOS (Complementary Metal-Oxide Semi-conductor) e o CCD (Charge Coupled Device).

Década de 1970

O CCD teve sua primeira versão comercial, capturando imagens com 0,01 megapixel.

O primeiro protótipo de câmara digital foi criado pela Kodak (mais uma vez pioneira na história), em 1975. Pesava 4kg e gravava imagens em uma fita cassete.

Em 1981, a Sony causou uma grande revolução ao colocar no mercado de consumo a primeira câmara digital, a Mavica, que capturava imagens de 0,3 megapixels e custava em torno de 12 mil dólares. Armazenava 50 fotos nos Mavipaks, que eram disquetes de 2 polegadas.

A primeira cobertura fotográfica com imagens digitais aconteceu durante as Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. A Canon utilizou um protótipo de câmara de vídeo estático e fez parceria com o jornal japonês Yomiuri Shimbun, que transmitia as imagens de fotos de 0,4 MP, via telefone, para o Japão. As imagens levavam meia hora para chegar, dando uma enorme vantagem na cobertura dos Jogos sobre os outros jornais, que dependiam de aviões para levar os filmes.

A partir de então, a fotografia digital começou a ser desenvolvida rapidamente e os primeiros modelos populares chegaram ao mercado em 1990, e não pararam até hoje. A cada ano, novos modelos são lançados no mercado.

Com certeza, muitas novidades ainda surgirão no mercado digital.

Referências

ANG, Tom. Fotografia Digital Master Class. Rio de Janeiro: Alta Books, 2010.

HEDGECOE, John. O novo manual da fotografia: Guia completo para todos os formatos. São Paulo: Senac, 2005.

KOSSOY, Boris. Hércules Florence: a descoberta isolada da fotografia no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

MAGALHÃES, Angela; PEREGRINO, Nadja. Fotografia no Brasil: um olhar das origens ao contemporâneo. Rio de Janeiro: Funarte, 2004.


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